quinta-feira, 8 de junho de 2017

Momento pausa geral para o mundo.

Cansei de tentar entender tudo, as situações, as pessoas, os sistemas, as cidades, as universidades, etc. Cansei de tentar me inteirar prontamente sobre o assunto e ainda assumir e expor uma opinião. Cansei de ter opinião pra tudo. Cansei de me mostrar, cansei de pesquisar, cansei de ler, cansei de buscar, cansei de desejar, cansei de estar o tempo todo em movimento. Agora estou mais suave, mais serena, menos eufórica, menos curiosa, mais paciente, mais observadora, menos falante. Estou mais leve.  Estou mais Feliz. As coisas continuam seguindo seus caminhos, as pessoas continuam agindo baseadas em seus interesses. Não preciso alterar nada. Não sinto mais tanta vontade de mudar as pessoas, as coisas, os sistemas. Estou "deixando rolar". Continuo seguindo o meu caminho, cumprindo com as obrigações que assumi como compromisso.
Mas numa postura mais resignada e resiliente. Cansei até de viajar e ficar apontando defeitos dos lugares, dos sistemas turísticos, das organizações sociais. Agora continuo viajando, mas observando sem o dedo que aponta e critica. Sinto o que posso, aproveito o que há de bom, vejo o que acho que está errado e tento entender, mas sem me estressar ou procurar os culpados. Não saio falando mal de lugares nem de pessoas. Tento só abrir a boca para falar bem, ou às vezes nem abro a boca.
Essa nova pessoa que vos fala até me agrada. Foi um longo e árduo caminho para chegar até aqui. Sofri, chorei, sorri, me esbaldei, me joguei, amei, confiei, me decepcionei, errei, corrigi, virei páginas, recebi amor, recebi indiferenças, mas, acima de tudo, aprendi. Aprendi até que embora viajar seja maravilhoso, é bom ter um lar, um canto, um porto seguro, um alguém esperando o nosso retorno. É bom ter alguém para chamar de família, mesmo que seja o animal de estimação, ou o melhor amigo, ou o amor, ou um vizinho velho que a gente gosta. É importante ter alguém com quem contar incondicionalmente e a quem a gente se doe incondicionalmente também. É bom circular, voar, mas é bom carregar consigo uma paz e uma Liberdade tão sólidas que ninguém consegue nos tirar. É bom conseguir estar num resort 5 estrelas, ou em qualquer lugar chiquérrimo, ou estar num casebre na roça, de pessoas analfabetas, mas que a gente ama. É bom experimentar tudo, mas conseguir estar bem em qualquer lugar, seja em qualquer banquete ou miojo puro.
É bom carregar uma luz dentro de si de tal forma que tudo em volta parece melhor, que nada consegue jogar pra baixo. Não nos afetarmos por problemas dos outros, como incompreensões, por confusões, por sofrimentos, por sentimentos baixos ou por qualquer motivo. Compadecermos sim, ajudarmos sim, chorarmos juntos se for preciso, mas sem apagar a luz do amor, da esperança, da fé que diz tudo de ruim vai passar e dias melhores virão em breve. É importante desapegar. Desapegar de tudo: de material e imaterial, de bom e de ruim. É importante deixar as coisas passarem, afinal, tudo é emprestado, nada é definitivo.
Estou ficando velha, experiente, madura, ou o nome que quiserem dar. Mas sinto que a vida dá e cobra, que a vida flui como o tempo que não pára e que tudo pode ser tudo, inclusive nada. Enfim, estamos todos no mesmo barco, todos seguindo sua caminhada evolutiva individual e coletiva. Tendo novas chances de fazer tudo melhor, de errar de novo, de corrigir de novo e até de praticarmos o egoísmo de virarmos as costas para o mundo e vivermos isolados num mundinho particular. Podemos tantas coisas! Mas seguir o caminho do bem é mais rico, mais honesto e mais gratificante no final. Muitas vezes mais trabalhoso e doloroso, mas com certeza dá uma paz de espírito tão grande que faz valer a pena todo o esforço. (Consciência tranquila é melhor que qualquer prazer terreno.)

Hoje recebi notícia da morte de duas pessoas. Poderia ser eu. Fiquei a pensar: "Se fosse eu será que minha existência fez alguma diferença neste mundo? Será que alguém sentiria minha falta? Será que amei o suficiente? Será que me doei o suficiente? Será que fui grata o suficiente? Será que perdoei o suficiente? Será que fui perdoada pelos meus erros? Será que minha vida valeu a pena?" Não tenho essas respostas. Mas só o fato de me questionar já me ajudaram a cuidar melhor dos meus pensamentos, minhas palavras e minhas atitudes. Espero que eu seja um ser humano um pouquinho melhor a cada dia. Que Deus me leve no momento em que Ele achar melhor, e que minha passagem por este plano tenha valido a pena e feito alguém feliz.
(Desculpem, sei que facebook não é lugar de chorar as pitangas, afinal, é lugar de mostrar fotos bonitas e fingir que tudo é bom. Ou, reclamar de política, do clima ruim, ou de futebol, ou de qualquer coisa. Mas hoje em especial senti vontade de chorar pitangas em público. Se não gostaram, sem problemas: só me excluir ou bloquear. Não vou sofrer, nem brigar, nem mesmo ficar sabendo.)


JP 24/4/2014

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Quem sou eu

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Nasci em 1983 em Belo Horizonte MG. Sou mineira culturalmente falando. Gosto de viajar, de escrever, de ler, de dançar, de me engajar em projetos desafiadores, gosto de movimento, de mudança. Gosto do aconchego do lar, de casa limpa e cheirosa, de música boa tocando baixinho, de comida boa na mesa. Gosto de amigos por perto, ao vivo. De abraço, de olhar nos olhos, de sentir as pessoas. Mas preciso deixar bem claro que pessoas que se sentem representadas por aquele senhor que está presidindo o país não me agradam. Se são pessoas coniventes com a ignorância, com a crueldade, com a capacidade de desprezar a ciência, a cultura, a arte, os direitos humanos, o meio ambiente, os direitos trabalhistas e outras coisas imprescindíveis para a existência da sociedade, não os quero em minha vida. Posso debater, posso tolerar, posso respeitar. Mas não posso amar e querer conviver com pessoas desse tipo. Sinto muito, mas não rola.