quinta-feira, 8 de junho de 2017

Sorriso

Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o acto de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contracção muscular da boca e dos olhos.

O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.

Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.

O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se.

(José Saramago)

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Quem sou eu

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Nasci em 1983 em Belo Horizonte MG. Sou mineira culturalmente falando. Gosto de viajar, de escrever, de ler, de dançar, de me engajar em projetos desafiadores, gosto de movimento, de mudança. Gosto do aconchego do lar, de casa limpa e cheirosa, de música boa tocando baixinho, de comida boa na mesa. Gosto de amigos por perto, ao vivo. De abraço, de olhar nos olhos, de sentir as pessoas. Mas preciso deixar bem claro que pessoas que se sentem representadas por aquele senhor que está presidindo o país não me agradam. Se são pessoas coniventes com a ignorância, com a crueldade, com a capacidade de desprezar a ciência, a cultura, a arte, os direitos humanos, o meio ambiente, os direitos trabalhistas e outras coisas imprescindíveis para a existência da sociedade, não os quero em minha vida. Posso debater, posso tolerar, posso respeitar. Mas não posso amar e querer conviver com pessoas desse tipo. Sinto muito, mas não rola.